sábado, 28 de dezembro de 2019

Painel Ser Voluntário é DAR-te



No âmbito do Projeto UNESCO, para assinalar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, decorreu no dia 11 de dezembro, na Escola Básica de Carregal do Sal, a abrir as atividades designadas por Natal com Tradições, dinamizadas por este estabelecimento, um painel sobre voluntariado, constituído por voluntárias de nobres causas em países do continente africano. A partilha das suas experiências, com os alunos das turmas de 7º ano e do CEF de Fotografia, iniciou-se com a apresentação da Dra. Susana Cálix, assistente social de Viseu, que desenvolveu um trabalho de voluntariado, no contexto da ONG Leigos para o Desenvolvimento, no Bairro da Nª Senhora da Graça, em Benguela (Angola), que consistia em ensinar a comunidade a identificar problemas e a encontrar soluções, organizacionais e estruturais, relacionados com o crescimento desordenado, através de uma gestão partilhada (que chama todos a intervir), pondo ordem no caos em que viviam, uma experiência que se tem revelado muito profícua. A concluir, reportou- se a outra experiência marcante na sua vida, num campo de refugiados oriundos da República do Congo, no leste de Angola, sublinhando a situação difícil em que se encontrou para acudir à situação aflitiva desta população em fuga da guerra e da fome.
Já a Dra. Ana Ferrão, colega do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, partilhou a sua experiência de voluntariado em Cabo Verde, no âmbito do Programa Ser + Dar + Terapeutas Sem Fronteiras, um projeto de valorização da educação desenvolvido nas Ilhas de Santiago e do Sal, regido pela solidariedade e entreajuda no sentido de fazer os outros mais capazes e mais felizes, tendo desenvolvido um trabalho de preparação e capacitação das mulheres para lidar com a deficiência de membros da família e dinamizando, também, atividades com alunos da Associação Acarinhar, formação para professores, sobre saúde e ensino, além do apoio ao domicílio e aos pais.

Por fim, o Projeto SOGA – servir outra gente com amor, sobre o qual a colega Dra. Paula Cristina Ferreira, do Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Velho e a Dra. Margarida Coelho, fisioterapeuta da Figueira da Foz, apresentaram o trabalho que se encontram a desenvolver na Ilha de Sogá, na Guiné-Bissau, de combate à pobreza extrema, promovendo a educação, alicerce fundamental para alavancar a mudança num dos países mais pobres e vulneráveis do mundo.
A boneca CARLOTA representa as meninas da Ilha, a quem é vedada a oportunidade de estudar. Este projeto tem, por isso, o objetivo do alargamento da educação das crianças e jovens da ilha, ao custear bolsas de estudo, pois a educação é uma ferramenta essencial para a erradicação da pobreza, tendo em vista os objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas.
Foi uma manhã enriquecedora para todos os que tiveram o privilégio de assistir. Temos a certeza de que os alunos foram “tocados” nos seus corações, compreenderam o valor do conforto em que vivem e a necessidade de se posicionarem no lugar do outro, desenvolvendo atitudes de solidariedade, de dádiva e de partilha.
Resta uma palavra de gratidão às voluntárias convidadas, que se entregaram a mais esta causa – a da partilha das suas experiências com os nossos alunos -  no sentido de formarmos consciências e contribuirmos para a construção de um mundo mais humano e fraterno, aos colegas que acompanharam as suas turmas, à Direção do Agrupamento, na pessoa do Senhor Vice-diretor, que  nos brindou com a sua amável presença e à Coordenação da Escola, que, desde o primeiro momento, acarinhou a iniciativa e zelou para que esta fosse bem sucedida. Gratidão também à colega Lúcia Morgado pela colaboração ao convidar a amiga e oradora Dra. Susana Cálix e à D. Fátima Caldeira, mais uma vez, pelo habitual generoso contributo no embelezamento da mesa.
Texto: Dores do Carmo e Josefa Reis
Fotos: Josefa Reis









quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Palestra sobre Tolerância na Universidade Sénior


No âmbito do espaço Cidadania, o Dia da Tolerância e da UNESCO foi o mote para uma palestra na Universidade Sénior de Carregal do Sal, no dia 20 de novembro, proferida pelas professoras Dores Fernandes e Josefa Reis.
Após o enquadramento teórico, com base no conceito da palavra tolerância, cujo significado procurou, através da interação com a plateia, escalpelizar, a docente Dores Fernandes lembrou os Princípios da Tolerância, com base na declaração da UNESCO, a qual reconhece a tolerância como o respeito e valorização das diferenças culturais e aceitação das várias formas de expressão do ser humano. Questionando os estudantes sobre a relação com os direitos humanos, foi unanimemente consensual que a tolerância faz parte da “universalidade dos Direitos Humanos e das liberdades fundamentais de cada um”.
A professora Josefa Reis contextualizou a atividade, lembrando o papel da Escola e do projeto “Dever de Memória – jovens pelos direitos humanos”, na promoção dos valores que devem nortear o crescimento do caráter dos adolescentes e jovens, tendo como farol a ação de Aristides de Sousa Mendes. Explicitou o enfoque do trabalho desenvolvido no âmbito do projeto, sublinhando a necessidade de continuar a fazer sentido assinalar o Dia Internacional da Tolerância, face ao crescimento dos extremismos e conflitos no mundo,
Esta efeméride, celebrada a 16 de novembro, desde 1996, constitui uma oportunidade de reflexão e de pôr em marcha ações para combater os mais variados tipos de intolerância cultural, económica, religiosa, sexual e racial.
De realçar que ainda nos encontramos na Década Internacional para a Aproximação das Culturas (2013-2022), com objetivo de promover o diálogo intercultural. Nesse sentido, recentemente, as Nações Unidas lançaram a campanha “TOGETHER” para promover tolerância, respeito e dignidade em todo o mundo, com especial enfoque na redução das atitudes negativas em relação aos refugiados e migrantes.
Para praticar a tolerância, é preciso saber o que ela significa. De acordo com a Declaração de Princípios sobre a Tolerância da ONU, ela é o respeito, a aceitação e o apreço pela diversidade em todos os seus âmbitos. Não deve ser considerada como uma concessão, mas sim um reconhecimento dos direitos humanos universais e das liberdades fundamentais de cada pessoa. Além disso, ninguém precisa de renunciar às suas opiniões ou convicções para praticá-la – todos são livres, mas devem aceitar, igualmente, a liberdade do próximo.
A concluir, frisou que é premente lembrar a afirmação de Ban Ki-mon “a tolerância começa com cada um de nós, todos os dias”.
Após as intervenções das professoras, foi apresentado um pequeno vídeo sobre a intolerância, ao qual se seguiu um trabalho de reflexão, em grupo, a partir de textos distribuídos, de forma a possibilitar o debate em grande grupo, que se revelou muito participado e enriquecedor.
A sessão traduziu-se numa tertúlia muito interativa, dado que a plateia se revelou muito interessada e com aguçado espírito crítico, tendo ficado o desafio de uma nova sessão logo que possível.
Fica a gratidão, pelo convite, à Enfermeira Joana Carvalho, presidente da Universidade Sénior, e a todos os participantes pelo caloroso acolhimento.

Dores Fernandes e Josefa Reis

Testemunhos da Memória


O dia 19 de novembro ficou indelevelmente marcado na mente da plateia da Escola Secundária do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal. Os alunos de 9º ano e de 12º C tiveram o privilégio de ouvir o testemunho de Cookie Fisher sobre a história da sua mãe, Adele Van Den Bergh, judia holandesa que, graças ao visto, passado em 1940, em Bayonne, por Aristides de Sousa Mendes, fugiu da Europa, fixando-se nos Estados Unidos da América.
Esta iniciativa foi dinamizada pelo Projeto UNESCO “Dever de Memória - jovens pelos direitos humanos”, no âmbito da comemoração do Dia Internacional da Tolerância e da UNESCO e organizada em tempo record, pois dependia da vinda da oradora a Lisboa para gravação do testemunho para o filme “L´Heritage d’Aristides” de Patrick Séraudie`, a sair em junho de 2020 em França e da cortesia da Drª Mariana Abrantes, em providenciar a sua vinda à região.
Assim, a coordenadora, Dores Fernandes, contextualizou a atividade, estabelecendo uma relação entre a intolerância, a discriminação e a perseguição a grupos étnicos minoritários, nomeadamente no contexto da II guerra mundial e do holocausto.
Com base no diário da mãe, na época uma jovem de 25 anos decidida a fugir da guerra, Cookie contou que ela partiu sozinha da Europa, enquanto os seus pais escolheram ficar para defender os seus bens, acreditando que os aliados facilmente impediriam a Alemanha nazi de cometer qualquer atrocidade na Holanda ocupada. A sua viagem terá sido num barco sardinheiro de nome “Milena” e, por conseguinte, sem condições de transporte de pessoas, seriam cerca de cinquenta refugiados os passageiros. O nome da embarcação suscitou alguma perplexidade nos ouvintes, pois por coincidência é o nome da amiga de coração de Cookie Fischer, segundo reportou.
A convidada continuou o depoimento, referindo que a mãe relatou, no diário, a falta de condições, a fome ao longo de vários dias da viagem, além da incerteza em relação ao seu futuro e o sofrimento por abandonar a sua família. Referiu, também, que antes da viagem, para colmatar a falta de condições sanitárias, a sua mãe e outros refugiados compraram vários “bacios”, para que as pessoas não sentissem a sua dignidade ferida ao longo dos vários dias da viagem.
Em Portugal, viveu, temporariamente, na cidade do Porto, tendo depois emigrado para os Estados Unidos. Foi uma mulher corajosa, constatou a oradora, mas profundamente marcada por este drama, pelo que não lhe contou esta história, o que revelava a personalidade de uma mulher que em nada se parecia com aquela que conhecera e que certamente influenciou Cookie como uma cidadã cosmopolita, a viver em vários países e dominando fluentemente nove línguas., ferramenta que usa como professora universitária da disciplina de Interculturalidade e Comunicação.
A terminar, a convidada revelou a gratidão para com o cônsul português, a quem a sua mãe ficou a dever a vida e do qual teve conhecimento há poucos anos atrás, através do seu diário, que lhe proporcionou o conhecimento desse passado e do trabalho de investigação da Sousa Mendes Foundation, que tem vindo a organizar a iniciativa “Journey on the road to freedom”, um roteiro desde Bordéus até Lisboa - um porto de esperança na época - passando por Cabanas de Viriato e em que participam pessoas que receberam vistos ou seus descendentes, com o objetivo de lhe prestar homenagem.
A oradora, num estilo de grande simplicidade e em português fluente, cativou a plateia durante uma hora, seguindo-se um tempo de ativo e pertinente debate entre os alunos e a convidada.
No final da sessão, foi feita uma atividade interativa com os alunos, simulando uma situação de stress de guerra, com o objetivo de promover a reflexão sobre o que levar em momento de fuga, concluindo-se que prevalece a identidade de cada um, contrariada pelo apego aos bens materiais.
Ficámos com a convicção de que na mente dos alunos se lançaram sementes de tolerância e de respeito pela diferença, esperando que continuem a crescer nestes valores.  Resta manifestar a nossa gratidão à oradora, pela generosa disponibilidade em se deslocar à nossa Escola no curto tempo da visita a Portugal, à Dra. Mariana pelo apoio em mais esta iniciativa, e aos professores que acompanharam os alunos a sua inestimável colaboração. Finalmente, uma palavra de apreço ao Senhor Vice-Diretor pelo valioso apoio e, como habitualmente, à colaboradora D. Fátima Caldeira, pelo requinte de beleza do centro de mesa.


 Dores Fernandes e Josefa Reis
Fotos: Josefa Reis


Encontro Regional de Escolas Associadas da rede UNESCO, na Escola Básica 2/3 do Caniço, na Região Autónoma da Madeira .... aqui se falou de Aristides de Sousa Mendes!


Nos passados dias 15 e 16 de novembro decorreu o Encontro Regional de Escolas Associadas da Rede UNESCO, subordinado ao tema Transformar o nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, acolhido pela Escola Básica 2/3 do Caniço, na Região Autónoma da Madeira, que contou com a presença de várias escolas da Madeira, três escolas do continente e uma dos Açores, nomeadamente a Escola Dr. Alberto Iria, de Olhão, o Agrupamento de Escolas Dr. Mário Sacramento, de Aveiro, o Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, representado pelas docentes Dores do Carmo e Josefa Reis, que coordenam o projeto UNESCO “Dever de Memoria-Jovens pelos Direitos Humanos” e a Escola EBI Francisco Ferreira Drummond, da Terceira.
Esta iniciativa, coorganizada pela Comissão Nacional da UNESCO e pela Escola Básica 2/3 do Caniço, pela primeira vez nas ilhas, revelou-se de grande importância como espaço de partilha de ideias, de projetos e de boas práticas educacionais. Foi uma oportunidade privilegiada para o estabelecimento de parcerias futuras e para um trabalho em rede, sob a égide dos objetivos da UNESCO.
A abertura do Encontro contou com a sublime performance do projeto Escola Cultural, com dança e teatro, ao que se seguiu a abertura pelo Secretário Regional da Educação, Dr. Jorge Carvalho, pela Vereadora da Câmara Municipal de Santa Cruz, Drª Élia Ascensão, pelo  Diretor da Escola Básica do Caniço, Dr Armando Morgado e pela Coordenadora da Comissão Nacional da rede de Escolas da UNESCO, Drª Fátima Claudino.
Iniciou-se a apresentação dos projetos da Escola Básica do Caniço, anfitriã, pela Drª Cristina Freire e da Escola Secundária Padre Manuel Álvares, da Ribeira Brava, pela Drª Isabel Freitas, que nos remetem para a sustentabilidade, para as questões ambientais e dos oceanos.
Outros projetos foram partilhados, centrando a apresentação nos pilares e nas diretrizes orientadoras dos trabalhos em desenvolvimento nas escolas associadas, continuando a aposta na Educação para a Cidadania Global, na Educação para a Paz, na Literacia dos Oceanos e nas Alterações Climáticas.
No âmbito da Educação para a Cidadania Global e Educação para a Paz, onde se insere a temática do projeto “Dever de Memória - jovens pelos direitos humanos” do nosso Agrupamento, foram apresentadas, de forma resumida, através de um power point, as atividades desenvolvidas, em prol da divulgação e da homenagem a Aristides de Sousa Mendes, mas também da divulgação do Património Cultural e Natural do Concelho, perseguindo outros objetivos como o desenvolvimento de valores inerentes à cidadania responsável e interventiva dos nossos alunos, numa sociedade democrática e atenta às questões da cidadania e dos Direitos Humanos.
O desenvolvimento do Projeto “Dever de Memória” foi apresentado aos participantes, merecendo o interesse da audiência, pela dinâmica empreendida no seio do Agrupamento e pelo facto de extrapolar os “muros da escola” e de se projetar na comunidade local e internacional, quer através das parcerias estabelecidas com outras escolas, quer com instituições que trabalham a mesma temática, na senda da construção de um mundo melhor. Falar de Aristides de Sousa Mendes além-mar foi um privilégio!
Digno, ainda, de registo, o simpático e caloroso acolhimento por parte da escola anfitriã, que zelou para que tudo decorresse da melhor forma, proporcionando, também, agradáveis momentos musicais, dinamizados pelo grupo de fado do Projeto Escola Cultural, e de convívio entre os participantes num aprazível Porto de Honra e jantar de S. Martinho, que envolveu toda a comunidade escolar.
Em jeito de balanço, podemos concluir que estes encontros são fundamentais, pois permitem a aprendizagem e a reflexão, a partilha de saberes e “modos de fazer” entre os profissionais da educação, contribuindo para o seu desenvolvimento profissional, mas também uma análise mais distanciada sobre o trabalho desenvolvido na nossa própria escola.
Como “nem só de pão vive o Homem”, não poderíamos deixar de referir a riqueza paisagística e patrimonial da região, a sua gastronomia, a particular poncha e o privilégio da companhia, na visita a locais emblemáticos, como a Eira do Serrado, o Caniçal e o Cabo Girão, do dedicado Dr. Gabriel Pita e do carismático Bento, ambos amigos de longa data da Professora Dores do Carmo. Da visita cultural à cidade do Funchal, outras memórias ficaram gravadas: a arte estampada nas portas reabilitadas da zona velha, o centro histórico com a sua catedral manuelina, o Mercado dos Lavradores, com o colorido e cheiro singulares e o mar de águas límpidas e calmas.
Uma palavra de enorme gratidão pela amabilidade à Drª Maria do Carmo Ferreira, entusiasta do nosso projeto, que nos acolheu em sua casa nestes dias de aprendizagem.
Uma terra de afetos que nos faz crescer o CORAÇÃO!

  
Texto: Josefa Reis e Dores Fernandes
Fotos: Josefa Reis





















Curso de Formação “O ensino do Holocausto: ponto de partida para a Educação para a Cidadania e para os Direitos Humanos”


A questão da formação dos professores, e de outros profissionais, é sempre uma oportunidade de enriquecimento e de atualização, embora nem sempre se traduza, na prática, numa mais-valia. Ou porque não corresponde às reais necessidades dos profissionais, ou porque é muito teórica e por isso, pouco motivadora a aprendizagem.
Se é verdade que a formação dos docentes é procurada por um imperativo do estatuto da carreira, é igualmente verdade que também é frequentada por forte interesse e motivação do professor. Existem professores empreendedores, que se envolvem em projetos desafiantes e que se interessam por práticas e metodologias inovadoras em contexto educativo.
As necessidades e as expetativas da sociedade atual, aberta, globalizada, sustentada pela informação e o conhecimento têm vindo a desafiar o professor para uma atitude dinâmica, flexível e conectada com o mundo. Neste contexto, é imperioso uma mudança de paradigma de educação, de escola, de professor, de aluno e de ambiente de aprendizagem. Impõe-se, por isso, um modelo de formação de professores, enquanto promotor da qualidade da educação, mais capaz de capacitar os futuros cidadãos para a intervenção nesta sociedade.
Nesse sentido, o curso de formação promovido pela Direção Geral da Educação, em parceria com o Mémorial de La Shoah: “O ensino do Holocausto: ponto de partida para a Educação para a Cidadania e para os Direitos Humanos”, realizado na Escola Secundária de Loulé, de 26 a 28 de setembro, constitui um momento privilegiado de reflexão e de aprendizagem sobre a temática.
O Projeto “Dever de Memória – jovens pelos direitos humanos” do nosso Agrupamento fez-se representar pelas professoras Aldina Mendes, Dores Fernandes e Josefa Reis, que desenvolvem a temática no âmbito deste projeto pedagógico e pretenderam aprofundar conhecimentos e enriquecer competências para a abordagem do tema dos direitos humanos na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. Depois da calorosa receção e da apresentação dos promotores e oradores do seminário, iniciaram-se os trabalhos com a comunicação “As raízes do antissemitismo europeu”, de Hubert Strouk, do Mémorial de la Shoah, uma intervenção pertinente sobre o tema, que extrapolou para a atualidade, segundo a diretiva do estudo do passado para entender o presente e assim poder prevenir o futuro, emanada pelo Mémorial de la Shoah e também pelo Yad Vashem. As diversas abordagens do dia, focadas no ensino e aprendizagem do Holocausto, foram, extremamente cativantes e muito pertinentes as reflexões suscitadas. Sublinha-se a exposição do mesmo orador na palestra “Desconstruir teorias da conspiração” e o ateliê pedagógico “Desconstruir preconceitos na sala de aula”, que promoveram uma reflexão sobre a necessidade de uma atenção intensificada, a importância do saber ver e interpretar sinais e imagens aparentemente inócuos na sociedade, principalmente através das plataformas virtuais, que são hoje um dos maiores veículos da informação e da falsa informação. Não sendo o ensino do holocausto um desafio fácil, é necessário ter em atenção a abordagem desta questão, tornando-se necessário a preparação cuidada e criteriosa dos docentes e esse é o entendimento da DGE, que ano tem vindo a apostar nesta formação. Deve, assim, a temática ser alvo de uma articulação transversal entre as Aprendizagens Essenciais da disciplina de História, a Estratégia Nacional da Educação para a Cidadania e os princípios, áreas de competência e valores definidos no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, numa visão integradora do currículo.
A intervenção de Pascal Zachary, do Mémorial de la Shoah, sobre  O centro de extermínio de Auschwitz” acrescentou conhecimentos para a visita de estudo a Auschwitz e Birkenau a realizar, pela segunda vez, neste ano letivo, de 2 a 5 de abril de 2020, no âmbito do projeto UNESCO do nosso Agrupamento, alicerçado no estudo e partilha da temática da 2ª Guerra Mundial, do Holocausto e do ato de Aristides de Sousa Mendes, “Justo entre as Nações”, natural do nosso concelho
As reflexões trazidas pela historiadora Irene Pimentel, do IHC da FCSH, da NOVA, a partir da comunicação “Portugal e o Holocausto”, sobre a política ambígua e a avaliação das suas consequências, lançaram luz sobre a posição de Portugal do Estado Novo, relativamente ao nazismo. A visita à exposição “Trabalhadores forçados portugueses no III Reich”, patente na Casa Museu Engenheiro Duarte Pacheco, em Loulé, orientada pela historiadora Cláudia Ninhos, do IHC, suscitou também muito interesse, por traduzir o sofrimento e angústia infligido, neste período histórico de horror, a portugueses emigrantes em França, prisioneiros dos campos de concentração, facto desconhecido das próprias famílias. O documentário “Debaixo do Céu”, de Nicholas Oulman, constituiu outro momento alto do seminário, representando, através dos testemunhos, um bom material gerador de debate e reflexão, transversal a várias áreas em ordem ao perfil do aluno.
O curso de formação teve como objetivo fundamental aprofundar os momentos marcantes do Holocausto, através da memória fundamentada em documentos, de modo a desconstruir, no presente, as várias formas de negação deste trágico acontecimento histórico, propiciando o entendimento da dimensão do holocausto, que levou à morte de vários milhões de vítimas num extermínio orquestrado e massificado. Pretendia, também, a constituição de uma rede nacional de formadores na temática do Holocausto, conducente à replicação dos conteúdos abordados. Contou com a participação de docentes de várias áreas disciplinares, que entusiasmados pelos vários painéis, não se davam conta do tempo a passar. Esta formação abriu perspetivas interessantes de trabalho no âmbito da memória do holocausto e da educação para os direitos humanos, através de excelentes comunicações e do apoio em fontes e documentação fidedignas, disponibilizando variados recursos, propostas e metodologias de trabalho desta temática que se apresenta cada vez mais necessária na formação dos alunos, face à crescente onda de intolerância, radicalismo e extremismo político. Torna-se, assim, premente a necessidade de desenvolver valores de uma cultura democrática, o respeito pelos direitos humanos e a educação para a paz.

Texto: Josefa Reis e Dores Fernandes
Fotos: Josefa Reis