domingo, 24 de abril de 2022

O Projeto Dever de Memória assinalou o “Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto” no Agrupamento




O dia 27 de janeiro de 1945 marcou a libertação de Auschwitz, o maior campo de concentração e de extermínio nazi, pelas tropas soviéticas, no fim da II Guerra Mundial. Pela Resolução 60/7 da Assembleia Geral da ONU, de 1 de novembro de 2005, foi estabelecida como data a recordar, com o objetivo de educar para a tolerância e para a paz e alertar para o combate ao antissemitismo e outras formas de discriminação.




Em conformidade com o plano anual de atividades, o Projeto UNESCO “Dever de Memória – jovens pelos direitos humanos”, evocou, novamente, esta efeméride no Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, numa atividade destinada às turmas de 9º ano - no dia 28 de janeiro na Escola Secundária, e a 31 na EB Aristides de Sousa Mendes - que visa preservar a memória deste trágico acontecimento, sensibilizando as novas gerações para a dimensão e consequências de um genocídio, por forma a que estes acontecimentos não se repitam.

Lembramos que o foco do projeto é o cônsul Aristides de Sousa Mendes, que obedecendo à sua consciência e contrariando ordens superiores do governo do Estado Novo, emitiu, em Bordéus (França), em 1940, vistos aos refugiados perseguidos pelo regime nazi, salvando milhares de vidas. Face a este ato de coragem, consideramos, um dever homenagear e manter viva, também, a sua memória e legado.

A atividade dinamizada constou de sessões de apresentação de testemunhos de alguns alunos participantes na viagem a Auschwitz-Birkenau, no passado mês de setembro. O evento integrou, ainda, dois vídeos, um sobre a referida visita, realizado pela professora Josefa Reis, em colaboração com a aluna Íris Figueiredo, e outro do Yad Vashem, a evocar este dia em memória das vítimas do holocausto.

 O balanço é muito positivo, as sessões decorreram num clima de motivação e interação entre os participantes e os dinamizadores, como evidenciou o facto de cada uma das sessões se prolongar para além do tempo previsto. Uma palavra de gratidão a todos que colaboraram para a concretização da atividade, nomeadamente os alunos que generosamente se disponibilizaram para realizar a apresentação aos colegas.

O projeto UNESCO organizou, ainda, para assinalar a data, uma exposição que se encontra desde o dia 26 de janeiro e até ao final do mês de fevereiro, no átrio do Pavilhão Vermelho da Escola Secundária


   

Dores Fernandes e Josefa Reis

Fotos e vídeo: Josefa Reis


segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Honras de Panteão a Aristides de Sousa Mendes


 

O dia 19 de outubro de 2021 foi um dia marcante e inolvidável, para a família, para os entusiastas da causa, ao nível nacional e internacional, para o nosso o país e para o mundo. Uma das grandes figuras da história do séc. XX, Aristides de Sousa Mendes, foi agraciado com honras de Panteão Nacional, em Lisboa. 

Aprovada em Assembleia da República, em junho de 2020, a resolução nº 47, por proposta da deputada Joacine Katar Moreira, a iniciativa consistiu na colocação de um cenotáfio neste espaço, onde o país presta a maior das homenagens a autores de grandes feitos: na história nacional, na literatura, na cultura, no desporto, na música e, neste caso, a esta figura que defendeu os valores humanos, colocando a VIDA acima da sua e da sua família, em desobediência a ordens superiores no contexto do regime do Estado Novo, exemplo maior do altruísmo, da solidariedade e  da tolerância.


A cerimónia contou com a presença de membros do governo e de deputados, de familiares, de representantes de organizações ligadas à causa, mas também de alguns descendentes de refugiados salvos pelos vistos do cônsul-geral, emitidos, na sua maioria, em Bordéus, em junho de 1940. A equipa do projeto “Dever de Memória – jovens pelos direitos humanos”, Dores Fernandes e Josefa Reis, teve o privilégio e a honra de estar presente, corolário de todo o trabalho de homenagem e de divulgação que tem vindo a desenvolver há mais de duas décadas, dentro e fora da comunidade educativa, sobretudo nos últimos oito anos integrado no projeto em desenvolvimento como escola associada da rede UNESCO.


Este evento foi abrilhantado com música do Coro do Teatro Nacional de S. Carlos e pelos discursos e testemunhos de portadores e descendentes de vistos gravados e projetados para os presentes na cerimónia, enaltecendo o ato deste humanista, momentos muito emotivos que permanecerão na memória dos que o viveram. No Panteão Nacional perpetuar-se-á esta memória, através da placa evocativa aí colocada, lembrando aos visitantes que há seres humanos notáveis e heróis que não podem ser esquecidos.

Dores do Carmo e Josefa Reis

Fotos e vídeo: Josefa Reis
















O Dever de MEMÓRIA e a Gratidão… num Hino à VIDA!

 

Um hino à vida é o sentimento que nos envolve, cada vez que nos cruzamos com portadores de vistos de Aristides de Sousa Mendes, a escassear pela força do tempo ou descendentes desses mesmos vistos, que nos visitam, em sinal de gratidão. Contactar com uma portadora de um visto de Aristides de Sousa Mendes é uma honra e um privilégio, assim foi no passado dia 4 de outubro de 2021, através da visita à Casa do Passal e da EB ASM, de Hilda de Vleeschauwer, acompanhada pelo filho Pierre Guislain e sua esposa.

Hilda de Vleeschauwer, que tem 90 anos, foi deputada e esteve de visita a Portugal na primeira semana de outubro.  filha de Albert DE VLEESCHAUWER, um ministro belga agora recordado como "o belga Charles de Gaulle", que recebeu um visto de Aristides de Sousa Mendes, juntamente com a sua família e os seus amigos Rosa DELERUE e o Padre Edward DE ROOY em 1940. A família atravessou a fronteira espanhola para Portugal, onde viveram com a família Sousa Mendes, na Casa do Passal, em Cabanas de Viriato. Sabendo que a sua família estava a salvo, Albert DE VLEESCHAUWER viajou então para Londres para se encontrar com outros funcionários belgas e estabelecer o governo belga no exílio. Encontramos o testemunho de LUDO DE VLEESCHAUWER, registado em 2012 para a SMF (Sousa Mendes Foundation), o qual transcrevemos:

“Tenho memórias vivas de Aristides de Sousa Mendes, mas acima de tudo guardo para ele um profundo sentimento de gratidão. Ele protegeu a nossa família oferecendo a sua generosa hospitalidade em Cabanas de Viriato durante o trágico verão de 1940.  Conhecendo a sua família, o meu pai, o Ministro das Colónias Albert de Vleeschauwer, conseguiu viajar de Lisboa para Londres a 4 de julho de 1940 e de Londres para Gerona, na fronteira franco-espanhola, onde a 2 de agosto pôde conhecer os seus colegas Pierlot, Gutt e Spaak e convencê-los da necessidade de deixar Vichy e juntar-se a ele em Londres para continuar a guerra.  Esta ajuda recebida de Aristides de Sousa Mendes foi essencial para o bom funcionamento destes acontecimentos, que se revelaram de extrema importância para a Bélgica.”

Encontramos registo fotográfico desta passagem no arquivo da SMF, mostrada numa exposição sobre Sousa Mendes, realizada no Luxemburgo, onde podemos observar a família, sendo que a menina da direita é Hilda Vleeschauwer. 

Este momento emblemático serviu de motivação a um conjunto de obras, nomeadamente um tríptico a óleo, denominado “Vidas de Cristal”, da autoria de Josefa Reis, e que integra a exposição itinerante de arte contemporânea “SER Consciência…30/1000 por 1VIDA” - caminhos da MEMÓRIA, que visa assinalar o ato de consciência de Aristides de Sousa Mendes, num abraço pela Arte ao nosso “Justo entre as Nações”.

Na comitiva visitante encontrámos Cookie Fisher, em representação de outra refugiada portadora de visto de Aristides, a sua mãe Adele Van Den Bergh, que reitera a gratidão ao falar deste humanista, reforçando o valor da Vida e a coragem ao dizer “Não!”



Fonte da imagem- Family - Sousa Mendes Foundation

   Equipa UNESCO-Josefa Reis, Dores do Carmo e Isabel Várzeas

Texto e fotos; Josefa Reis 

                                







terça-feira, 30 de novembro de 2021

Dia Internacional da Tolerância e da UNESCO



A assinalar o "Dia Internacional da Tolerância e da UNESCO", consagrado pela ONU para o dia 16 de novembro, discutimos a importância da tolerância, enfatizando a necessidade da aceitação da diferença e da convivência pacífica, num mundo marcado pelo extremismo, fanatismo e ódio. Eis o resultado das reflexões realizadas em sala de aula...o cartaz da autoria da colega de equipa Josefa Reis.

“Testemunhos da Memória” com Leah Rozenfeld Sills

 


O passado mês de outubro foi um mês de boa memória para o projeto UNESCO, Aristides de Sousa Mendes foi homenageado com honras de Panteão Nacional no dia 19, e na mesma semana, uma descendente da família Rozenfeld,  Leah Rozenfeld, filha de Stefan Rozenfeld, portador de um visto, emitido em Bordéus pelo cônsul e radicada nos Estados Unidos, deslocou-se muito generosamente ao Agrupamento, para apresentar o testemunho sobre a história de vida do pai, dinamizando três sessões destinadas aos alunos. 



 A primeira apresentação decorreu no dia 21 e foi   destinada aos alunos de 8ºD e 9ºD da Escola   Básica Aristides de Sousa Mendes. Nesta sessão   os alunos revelaram uma atitude de grande   interesse, mostrando gratidão pelo privilégio de  participarem na atividade.  A habitual hospitalidade   e o calor humano das colegas da coordenação, e restantes membros da comunidade escolar deste estabelecimento, e a partilha da narrativa do seu pai e avós deram o mote para a felicidade da  oradora, que de forma muito expressiva fez a partilha.


No dia 22 e já na Escola Secundária, Leah dinamizou uma sessão destinada aos alunos de 10º ano do Curso de Línguas e Humanidades e a segunda sessão destinou-se aos alunos participantes na visita de estudo a Auschwtiz- Birkenau, realizada no passado mês de setembro. Estas sessões foram muito participadas, os alunos colocaram várias questões no espaço aberto para debate, o que é bem revelador do interesse e curiosidade suscitados nos alunos.


No final desta atividade, a oradora mostrou-se muito emotiva pela oportunidade de partilhar a narrativa com este público do agrupamento e por se encontrar na terra natal do diplomata que salvou a sua família, que muito provavelmente seria vítima do holocausto, como o foi o seu tio-avô, Piotr Rozenfeld (Peter). Sublinhou que tem para com o cônsul Sousa Mendes uma enorme dívida de gratidão, porque foi a sua coragem e bondade que permitiu a sua vida.

O balanço desta experiência de aprendizagem é muito positivo, sobretudo pelo exemplo de solidariedade e humanismo, em tempos tão difíceis, de Aristides de Sousa Mendes. Uma palavra de gratidão para com a Direção do Agrupamento, pelo apoio e carinho com que abraçou a iniciativa, e à assistente operacional Fátima Caldeira, pela sensibilidade e simpático gesto no toque de beleza e cor do centro de mesa. Um profundo agradecimento pelo testemunho à preletora. 

Filme Josefa Reis - Facebook

 

A equipa UNESCO, Dores do Carmo, Josefa Reis e Isabel Várzeas

               Fotos e Cartaz: Josefa Reis