terça-feira, 14 de agosto de 2018

"Pedras de tropeço" uma escultura social!


"Pedras de tropeço" uma escultura social!
Gunter Demnig, nascido em 1947, cresceu em Berlim, onde estudou artes e desenho industrial.
Este artista Plástico é o autor destes elementos artísticos, em formato de uma placa de cobre aproximadamente 10cm², na qual estão gravadas informações biográficas e o destino de deportados da 2ªGuerra Mundial. Estas pequenas placas são colocadas na porta da casa de onde os proprietários foram arrancados com violência para um destino cruel.
Entre os homenageados podemos encontrar não só judeus, mas também ciganos, políticos, professores, homossexuais, pessoas com deficiencias e doenças, e todos os excluidos pelo regime Nazi. As "pedras de tropeço" são o maior memorial descentralizado do mundo, Gunter Demnig, espalhou "pedras de tropeço" por toda a Europa sendo que as primeiras 50 foram instaladas ilegalmente em Berlim em 1996.
Passados 22 anos, são mais de 7 mil "pedras de tropeço" só na capital alemã e quase 60 mil por toda a Europa, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, transformando visualmente a paisagem urbana e tornando-se motivo de visita no âmbito da temática da 2ª Guerra Mundial e do Holocausto.
Estes elementos artísticos, transportam o observador ao passado, homenageando uma vida, um nome, uma existência! Momentos de reflexão… um Dever de Memória!

“Placas de Tropeço” Deportados e assassinados em Auschwitz
Coincidências, ou talvez não!... e porque o chão também fala e chora! Encontrei estes nomes de forma acidental, muitos mais estão espalhados por Roma!
 

Receção do Hotel ”Life in Rome"
 
1-Marcello Mendes
 (1915- levado a 16/10/1943)
2- Maurizio Mendes
 (1876- levado a 16/10/1943)
3- Umberto Mendes
(1923- levado a 16/10/1943)



Residenze "VinoeOli” Deportados a Auschwitz 
 
4- Wanda Camerino (1918 levado a 16/10/1943) falecida a 20/05/1944
5- Italo Camerino (1893 levado a 16/10/1943) assassinado a 5/01/1944
6- Giulia di Cori (1894- levado a 16/10/1943) assassinada a 20/05/1944 
7- Setimio Renato di Cori (1889- levado a
16/10/1943) assassinado a 23/10/1943
 
 

8- Aldo Veneziani (1899- levado a 16/10/1943)dezembro 1944
9- Enrica Taglioacozzo in Veneziani (1868- levado a 16/10/1943)-Assassinada 23-10-1943
10- Dário Veneziani(1901- levado a 16/10/1943) dezembro 1944




 
 
Bairro Judeu em Roma

11- Alfredo Sansolini(1897-levado a 14/3/1944) assassinado a 24/3/1944

 
 
 
 
  
12- Angelo Sed (1905- levado a 1/04/1944)-assassinado em Auschwitz
 
 
 
Fábio Massimo-Design Hotel

13-Giulio Mortera(1870-levado a 16/10/1943) assassinado a 23/10(1943
14-Jole Mortera(1904 levada a 16/10/1943)morta lugar desconhecido
15-Virginia Scazzocchio in Mortera(1866 levado a 16/10/1943) assassinada a 23/10(1943



No dia 16 de outubro de 1943, muitos foram levados…encontramos no Bairo Judeu de Roma, uma placa de homenagem e memória.
Existe também uma placa que referencia 2000 policiais militares que foram deportados para os campos de concentração, porque os oficiais da S.S. temiam que a polícia italiana se opusesse à operação pente-fino no Gueto Judaico. Essa placa, encontra-se na Via Dalla Chiesa 3 (no bairro Prati, mas bem perto do Vaticano).
  
JR(4 agosto 2018)
 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

VISITA À CASA DO PASSAL



 Mais uma atividade que nos encheu de orgulho.
Um grupo de professoras, algumas acompanhadas pelos seus descendentes, a quem querem passar o testemunho e os valores de Aristides de Sousa Mendes, após terem manifestado vontade de conhecer a Casa do Passal e o “Tributo ASM-2004”, erigido, no espaço exterior da Escola Básica Aristides de Sousa Mendes, em Cabanas de Viriato, aquando do cinquentenário da sua morte, realizaram a visita a estes locais de memória e de homenagem no dia 29 de junho.
O grupo, acompanhado pela equipa UNESCO, que preparou e organizou esta visita, foi calorosamente recebido pelas coordenadoras da referida Escola e pelo Dr. Luís Fidalgo, membro da Fundação Aristides de Sousa Mendes, gentil anfitrião naquela que foi residência do citado diplomata.

Pela curiosidade, interesse e entusiasmo manifestados pelas colegas e seus filhos esta foi mais uma iniciativa muito gratificante, permitindo concluir que é um dever de memória continuar a trilhar a “Rota da Consciência”, no âmbito do Projeto “Dever de Memória”, e que afinal, por vezes, estamos perto e tão longe.

Dores Fernandes e Josefa Reis



quarta-feira, 20 de junho de 2018

“Encontros de Autor 2018” José Ruy-autor do livro “Aristides de Sousa Mendes-Herói do Holocausto”


O Encontro, no dia 12 de junho, com José Ruy na Escola Básica Aristides de Sousa Mendes foi mais uma atividade inesquecível! O principal objetivo desta atividade, promovida no âmbito do Projeto UNESCO, com a colaboração da Biblioteca Escolar e destinada, principalmente, aos alunos do 2º e 3ºciclos, era apresentar a sua Banda Desenhada Aristides de Sousa Mendes, herói do holocausto. Este autor frequentou a Escola Artística António Arroio, especializando-se em Artes Gráficas e cursou Belas Artes. É possuidor de um currículo artístico invejável, sendo conhecido e reconhecido a nível nacional e internacional. Esta atividade, que desenvolve desde os 14 anos, conta, na sua longa carreira de artista, com numerosas publicações, cerca de 80 álbuns e 50 livros em Banda Desenhada, para além da colaboração em jornais e revistas.
Na plateia estiveram, para além dos alunos, professores e assistentes operacionais, as Coordenadoras do Estabelecimento Dr.ª Eunice Santos, Dr.ª Filipa Neves e Dr.ª Paula Modesto, as professoras bibliotecárias, Dr.ª Elisa Morais e Dr.ª Célia Cortez. Estiveram presentes, como convidados, o representante da Fundação Aristides de Sousa Mendes, Dr. Luís Fidalgo, a representante da Sousa Mendes Foundation, Dr.ª Mariana Abrantes, que lançou o desafio à Equipa UNESCO e colaborou na logística desta atividade, o Presidente do Conselho Geral do Agrupamento, Eng. Ricardo Seabra e o Senhor Diretor do Agrupamento, Dr. Hermínio Marques, que no início da segunda sessão, proferiu palavras de gratidão ao orador convidado, sublinhando ser uma honra e um enorme privilégio a sua presença na Escola. Agradeceu, ainda, à organização, realçando que estas atividades enriquecem os alunos e a comunidade local, nas suas vivências, aprendizagens e memórias.
Em duas sessões, destinadas, respetivamente, às turmas de 5º e 6º anos e 7º e 8º anos, o artista gráfico foi inexcedível na apresentação do seu trabalho, com destaque para a história do humanista de Cabanas de Viriato, que considera um herói digno de homenagem e de reconhecimento, devendo a sua memória ser perpetuada, pelos valores que representa.
O Mestre, incansavelmente, mostrou, sem artificialismos, de forma próxima e com simplicidade como se faz uma história de Banda Desenhada. A explanação dos vários passos, com enfoque nas pesquisas realizadas, no contexto artístico/ temporal, nos processos da criação, que vão desde o ato de escrever e desenhar, à montagem das histórias/narrativas até chegar à obra final saída da gráfica, como o artista prefere designar de “história aos quadrinhos”, encantaram os presentes.
     Os conhecimentos foram transmitidos numa atmosfera envolta de silêncio, tal foi o interesse despertado! A perceção da presença de tão admirável artista, a possibilidade de tocar/manusear alguns originais realizados e doados para acervo do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora, encontrando-se na Bedeteca desta Cidade, consciencializou os presentes do privilégio deste encontro, captando a atenção da numerosa plateia emotiva e motivadora, que no final de cada sessão colocou questões pertinentes ao mestre, às quais respondeu sem se poupar a esforços.
    De entre algumas questões, ficou desvanecida a ideia da subvalorização do trabalho artístico, do ato de criação e do próprio artista, refletindo todo o processo moroso de meses de trabalho “atrás da cortina” subjacente à obra artística.
     A arte é um dos Valores Universais, nas suas várias vertentes, é através dela que temos acesso a um estudo diversificado sobre o pior momento vivenciado da história da humanidade, o Holocausto. O desenho, através dos diários gráficos, a música, a pintura, a fotografia entre outros, foram e são uma importante ferramenta de registo e memória que nos deve educar para não esquecer.
    Assim, e nesta mesma filosofia de perpetuar valores e assegurar a memória futura, a coordenadora do projeto UNESCO, informou que as pranchas em tamanho A3 do livro em epígrafe, foram gentilmente disponibilizadas pelo Mestre José Ruy ao projeto UNESCO do nosso Agrupamento, dinamizado pelas docentes Dores Fernandes e Josefa Reis para a exposição patente nesta biblioteca, e como proposta do projeto, este material gráfico ficará na Escola Básica Aristides de Sousa Mendes, em homenagem ao seu patrono. Assim, a Coordenadora do projeto UNESCO propôs que os painéis passem a integrar o património da escola, num mural a ser colocado em local a definir, ação que foi autorizada pelo Sr. Diretor do Agrupamento, Dr. Hermínio Marques, que referiu ser honroso possuir no Agrupamento essa exposição permanente.
No final, foi realizada uma sessão de autógrafos do livro que conta a história de Aristides de Sousa Mendes, seguindo-se ao momento de convívio com o autor, num lanche oferecido pelos professores, a visita guiada ao “Tributo ASM- 2004” no espaço exterior da escola, tributo composto por 10 elementos escultóricos que traduzem a vida de Aristides de Sousa e Mendes e ainda à Casa do Passal, futuro Museu da Consciência.
O balanço é muito positivo, os alunos revelaram um vivo interesse pela palestra e manifestaram uma conduta de grande civismo e respeito pelas regras. O êxito desta atividade ficou a dever-se novamente a todo um trabalho de cooperação, que não podemos deixar de enaltecer. A todos os intervenientes – direção, equipa da biblioteca e da coordenação do estabelecimento, professores e assistentes operacionais - que não se pouparam a esforços na concretização deste evento, um grande Bem-Haja.
A Equipa UNESCO, Dores Fernandes e Josefa Reis
Fotos: Josefa Reis

https://www.youtube.com/watch?v=Vrv_KE3dkGM



quinta-feira, 14 de junho de 2018

“Encontros de Autor 2018” com Joan Arnay Halperin, autora do livro My Sister' s Eyes


O passado dia 6 de junho foi um dia memorável no Agrupamento, a sessão com Joan Halperin, autora do livro My Sister’s Eyes tornou este dia intenso e único. Esta atividade dinamizada pelo Projeto “Dever de Memória”, no auditório da Escola Secundária, iniciou-se com as boas-vindas por parte do Diretor do Agrupamento e o agradecimento à escritora, à Dra. Mariana Abrantes, pelo apoio a esta iniciativa, aos alunos do 9º B, que leram e trabalharam a obra, aos alunos das turmas E do 9º e B de 12º (Línguas e Humanidades), à Direção do Agrupamento, aos professores e pais presentes, aos assistentes operacionais pelo apoio, em particular à D. Fátima Caldeira que organizou os arranjos florais e à restante plateia, pela Coordenadora do Projeto UNESCO, Dores Fernandes.
Esta iniciativa surgiu na sequência da oferta, através da Drª. Mariana Abrantes, entusiasta desta causa, no passado mês de fevereiro, de 25 exemplares desta obra às bibliotecas escolares do Agrupamento e à Biblioteca Municipal, no âmbito do Projeto Dever de Memória, pela Sousa Mendes Foundation, com o objetivo de ser lido e analisado pelos nossos estudantes.
A escritora norte-americana contou, de forma muito motivadora, a história da fuga da sua família, em tempo de guerra e de perseguição nazi, da Polónia até Bordéus (no sul de França), onde graças ao acto de coragem de Aristides de Sousa Mendes, conseguiu um visto para viajar para Portugal, percorrendo um Caminho de Liberdade. O nosso país apresentou-se como terra de esperança para a sua família e para muitos outros refugiados, os quais foram acolhidos calorosamente pelo povo português. A vivência, ao longo de dezoito meses, e o apoio dispensado aos seus pais e família na Figueira da Foz, que são recordados com muito carinho no seu livro e finalmente a viagem para a Jamaica, onde faleceu a sua irmã Yvonne, e o recomeço de sua vida nos Estados Unidos foram outros momentos testemunhados na palestra. A plateia, constituída por alunos, pais e professores, ouviu com grande atenção a comovente história de sobrevivência da sua família apresentada de forma próxima e muito afetiva.       

Seguiu-se a apresentação do trabalho interdisciplinar desenvolvido pelos alunos do 9º B, no âmbito das disciplinas de Inglês e de Educação Visual, sob a orientação das professoras Lurdes Cruz e Josefa Reis, orientado por um guião de exploração da obra, fornecido pela autora e adaptado segundo as diretrizes pedagógicas do projeto na sua abordagem didática, envolvendo o estudo do Holocausto e o ato humanista de Aristides de Sousa Mendes, numa filosofia do “Antes”, “Durante” e “Depois” do Holocausto (SHOA) que deslumbrou a autora e todos os presentes. Assim, foram lidos pelas alunas Laura Sousa e Mª João Amaral, expressivamente, excertos dos resumos da obra em Inglês. Foi apresentado, pela Bruna e pelo Martim, através de um PowerPoint, o trabalho artístico realizado - um scrapbook - uma reinterpretação bilingue (em Português e Inglês) da história que resultou num trabalho gráfico de grande valor criativo e emotivo.
A interpretação da obra em scrapbook, teve como motivo o facto de ter sido dado a Joan Halperin, pela mãe Hala, um álbum de fotos sobre Yvonne, sua irmã, portadora do visto de Aristides de Sousa Mendes, passado à família em 1940, em Bordéus. Esta apresentação, materializa o regresso ao passado de forma interativa, num equilíbrio entre os conceitos verbais e visuais, indo ao encontro das emoções emanadas pela obra e pela própria autora. Dos três exemplares criados, dois foram oferecidos, um à autora Joan Halperin e outro à professora Dores Fernandes, Coordenadora do Projeto UNESCO, para memória futura, o terceiro é o protótipo de orientação deste trabalho e pertença da docente Josefa Reis, autora dos estudos realizados previamente e que permitiu a orientação do trabalho com os alunos. No dizer da própria autora Joan Halperin “uma verdadeira obra de arte inspirada no meu livro, fico tão orgulhosa!


A encerrar a sessão, foi apresentada uma reflexão, pela Beatriz Alexandre, sobre a experiência de leitura e interpretação da obra, que traduziu o gosto e o enriquecimento pessoal que o trabalho literário lhes trouxe. Realça-se, ainda, a mais-valia do desenvolvimento de capacidades como a criatividade e o domínio da língua inglesa em resultado do envolvimento neste projeto.
 A terminar a sessão, a autora foi agraciada com ofertas da Câmara Municipal (filme/livro Aristides de Sousa Mendes, o Cônsul de Bordéus e a medalha do centenário da morte deste herói) e da Equipa UNESCO (o livro Aristides de Sousa Mendes- Memórias de um Neto, de António Moncada Sousa Mendes e outros artigos emblemáticos do projeto). Finalmente, juntou-se a esta comitiva, Gérald Mendes e Tereza Sousa Mendes, netos de Aristides de Sousa Mendes e uma bisneta, Margarida Mendes, com os quais o projeto UNESCO do Agrupamento tem cooperado.
Paralelamente ao evento e para contextualizar historicamente a obra, esteve patente a exposição “MEMÓRIAS num tempo…100 TEMPO”, constituída por um conjunto de fotografias documentais e da obra em epígrafe, organizada segundo a mesma filosofia de interpretação e que será cedida a título de empréstimo, pelo projeto UNESCO do Agrupamento de Carregal do Sal, ao Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz, com o objetivo de contextualizar historicamente a Palestra Interativa, com Joan Arnay Halperin, no próximo dia 13 de junho no referido Museu, atividade dinamizada no âmbito do projeto "Figueira, Farol da Liberdade", pelas docentes Helena Romão e de Inglês do AEZUFF, cruzando assim o caminho dos refugiados da II Guerra Mundial com o ato de Aristides de Sousa Mendes. 
Estes encontros são um privilégio, um “Dever de Memória”. Aristides de Sousa Mendes é, efetivamente, o catalisador de projetos em torno da temática dos Direitos Humanos, unindo pessoas no mesmo propósito… Educar para não ESQUECER num formato de “Rota da CONSCIÊNCIA”…um caminho…uma viagem!




 

Dores Fernandes e Josefa Reis

Fotos: Josefa Reis