quarta-feira, 12 de abril de 2023

Parcerias do projeto - uma mais-valia pedagógica


Nos dias 13 e 15 de fevereiro realizaram-se duas palestras, uma proferida pelo Dr. António Moncada Sousa Mendes, neto do “Justo entre as Nações” Aristides de Sousa Mendes e outra pela Cookie Fischer (filha de uma refugiada salva pelo Cônsul Aristides Sousa Mendes), na Escola Secundária Alfredo Reis Silveira, de Seixal, uma iniciativa organizada pelo Prof. Edgar Rendeiro.
No dia 13 a turma do Curso de Artes Visuais de 10º ano do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal teve a oportunidade de assistir via online, numa parceria com o Projeto UNESCO "Dever de Memória" - jovens pelos Direitos Humanos, alicerçada em valores e paradigma pedagógico comuns.

                                                                                                              Um #DeverdeMemoria










terça-feira, 11 de abril de 2023

Apresentação do Livro Brisa de Verão, de Célia Cortez



O conto Brisa de Verão
Autora- Célia Cortez
Ilustradora- Josefa Reis


O conto Brisa de Verão, de Célia Cortez, teve a sua apresentação, dia 2 de abril, Dia internacional do livro infantil, na Biblioteca Municipal de Carregal do Sal. Um conto com ilustrações da artista Josefa Reis e das suas palavras na referida cerimónia registámos o agrado com que abraçou este desafio lançado pela autora,  o que justificou pela conexão entre esta narrativa e a temática do projeto Dever de Memória, e particularmente, pelo exemplo de Aristides de Sousa Mendes, foco deste projeto pedagógico que desenvolvemos no Agrupamento.
Este momento foi abrilhantado com música por alunos do CMAD e com uma sessão de leitura por alunos do Agrupamento, uma tarde inolvidável, a promover o livro e o gosto pela leitura.
Citamos a artista acerca da sua criação:
 
"O desafio de ilustrar tão simbólica história, que espelha tão bem a realidade dos REFUGIADOS, foi para mim um privilégio, ainda mais sendo acolhida no concelho do Humanista Aristides de Sousa Mendes, que tanto fez por essa causa, um livro que nos faz refletir sobre valores intemporais e que tantas vezes são atropelados.
Que "Samira" , seja norteadora de esperança e novos começos, para todos". Josefa Reis
Texto -Dores Fernandes e Célia Cortez








DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO 27 DE JANEIRO DE 2023


O dia 27 de janeiro, Dia em Memória das Vítimas do Holocausto, foi mais uma vez assinalado no Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, uma iniciativa dinamizada pelo projeto “Dever de Memória – jovens pelos direitos humanos”. As turmas de 3º ciclo e as do ensino secundário de todas as Escolas do Agrupamento, leram em sala de aula, de forma síncrona durante a manhã, um poema, previamente disponibilizado pela equipa do referido projeto, alusivo ao holocausto e à libertação do campo de Auschwitz.
No âmbito desta evocação, a equipa acolheu junto da Casa do Passal o grupo de alunos do Curso Profissional de Técnico de Animação Turística, da Escola Secundária de Molelos, acompanhados pelas docentes responsáveis.
Neste local, a professora Dores do Carmo, coordenadora do referido projeto, partilhou a história de vida do cônsul Aristides de Sousa Mendes. Seguidamente, já no exterior da Escola Básica ASM, estes alunos foram acolhidos pelos alunos do 8º E, tendo a oportunidade de realizar uma visita guiada ao “Tributo ASM 2004…50 anos de Memórias” (Re)visitar Sousa Mendes, pela docente e subcoordenadora do referido Projeto UNESCO Josefa Reis, possibilitando a descoberta dos elementos escultóricos que contam, de forma visual, a vida do cônsul contextualizada na narrativa histórica proferida anteriormente. De seguida, os alunos realizaram um workshop artístico, sob a orientação da mesma professora, constituído por pintura em azulejo, atividade que suscitou enorme interesse e empenho e lhes proporcionou a reflexão e a expressão dos sentimentos e valores inspirados na temática, no ato de ASM e nos direitos humanos. Lembramos que esta iniciativa tem por objetivo dar continuidade ao Mural “Ser Consciência…” patente no átrio deste estabelecimento de ensino.
Após o almoço, e já na Escola Secundária, o grupo visitante juntou-se aos alunos da turma A de 11º, e depois de uma breve palestra acerca desta efeméride e da necessária contextualização, realizaram em grupo, constituído por alunos de ambas as Escolas, um jogo denominado “Caça ao Testemunho”. Esta atividade pretendia funcionar, também, como quebra-gelo. Ao visionamento do vídeo com o testemunho de uma sobrevivente do holocausto (Francine Cristophe), seguiu-se a leitura dos testemunhos encontrados nos vários esconderijos da Escola e o debate que se revelou muito enriquecedor, proporcionando o levantamento de muitas questões e a reflexão sobre aspetos fundamentais decorrentes de ideologias racistas e extremistas. Possibilitou, ainda, a extrapolação para a atualidade e o sublinhar dos valores da tolerância, do respeito pelo outro e do diálogo para resolução dos conflitos, numa perspetiva da construção de um mundo melhor e de paz, pelo que consideramos muito positivo o balanço da iniciativa. Estamos em crer que perdurará na memória destes alunos o legado de Aristides de Sousa Mendes.

#DeverdeMemória.

Dores Fernandes e Josefa Reis

Fotos-Josefa Reis e Dores do Carmo








terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Dia Internacional dos Direitos Humanos - 10 de dezembro

 


Os alunos do Curso de Artes Visuais da turma A de 10º, assinalaram o aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem com uma exposição de trabalhos artísticos patente na Biblioteca da Escola Secundária.
No âmbito da disciplina de Desenho, em interdisciplinaridade com História da Cultura e das Artes e inspirados nos defensores dos direitos humanos e na conquista histórica de direitos, nomeadamente o direito ao voto e os direitos das mulheres, os alunos expressaram-se principalmente através da arte, uma excelente ferramenta de reflexão sobre esta temática. 
A exposição continuou patente ao longo do mês de janeiro, suscitando um vivo interesse da comunidade escolar, 
De louvar o empenho, a criatividade e o brio deste grupo de alunos claramente demonstrado, mais uma vez, pela excelência do seu trabalho. Gratidão, também, às docentes que orientaram esta produção, Isabel Várzeas e Cristina Varanda.




Íris Figueiredo

Maria Fernanda
Daniel Marques










Catarina Duarte












Laura Várzeas



Jorge Gomes
Matilde Costa

Bárbara Carreira






sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Seminário Internacional – Holocausto: Memória, Educação e Cidadania

 



Do dia 3 a 5 de novembro realizou-se, no Auditório da Câmara Municipal de Carregal do Sal, um Seminário Internacional sobre a memória e o ensino do holocausto, intitulado “Holocausto: Memória, Educação e Cidadania”. Este curso de formação, destinado a professores de todos os grupos disciplinares, organizado pela DGE, em parceria com o Mémorial de la Shoah de Paris, a Associação de Professores de História, a Fundação Aristides de Sousa Mendes, o Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e a Memoshoá, contou, também, com a estreita colaboração da Câmara Municipal de Carregal do Sal e o Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, através do Projeto “Dever de Memória – jovens pelos direitos humanos”. Tinha como objetivos fundamentais: formar e sensibilizar para o ensino do Holocausto, numa perspetiva transversal à Cidadania e aos Direitos Humanos e fornecer aos professores instrumentos de trabalho prático para a sala de aula, propiciando meios de reflexão que permitam, através do ensino do passado, problematizar o presente e perspetivar o futuro.

Assim, nos dias citados, depois da receção calorosa e apresentação dos promotores e oradores do seminário, iniciaram-se os trabalhos com a apresentação “Aristides de Sousa Mendes - A referência do passado na construção do futuro” de Paulo Catalino, Presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, seguida de “Aristides de Sousa Mendes: entre a História e a Memória” da historiadora. Cláudia Ninhos, do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e membro da Fundação Aristides de Sousa, que nos posicionou perante os feitos do humanista da região e que nos remete, de forma incondicional, para a necessidade de se posicionar no lugar do outro, posição cada vez mais difícil nos dias que correm.

O painel “O Antissemitismo nos Séculos XIX e XX” de Joel Kotek, da Universidade Livre de Bruxelas, uma intervenção pertinente do tema, contextualizada com a atualidade e a intervenção “A Destruição dos Judeus na Europa: ideologia e processo por etapas” de Pascal Zachary, do Mémorial de la Shoa, promoveram uma reflexão sobre a necessidade de uma atenção intensificada, a necessidade de Saber Ver e interpretar sinais inócuos em sociedade, possíveis geradores de conflitos e que nos posiciona sobre a importância de cultivar-se, cada vez mais, a cultura do conhecimento da História, importância, comprovada e orientada pela formadora Marta Torres e por Miguel Barros da APH, que vêm acrescentar que, mais do que nunca, é necessário o estudo e formação para a construção de cidadãos centrados em valores humanistas, na pessoa e na dignidade humana, com o contributo pedagógico do “Ensino da História, minorias e direitos humanos”.

Não há dúvida que a arte é um excelente veículo de expressão e de comunicação, e nesse sentido, a apresentação “O dever de memória” – jovens pelos direitos humanos “, a cargo da equipa do Projeto Unesco do Agrupamento de Escolas de Carregal foi muito elucidativa de como em contexto de sala de aula se pode abordar a temática do Holocausto, da Memória da 2ª Guerra Mundial, de forma criativa e diversificada, alicerçando os conhecimentos numa metodologia de trabalho do saber fazer e saber ser, competências essenciais ao perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória.

As reflexões do painel “Questionar o Holocausto através do género”, de Caroline François, do Mémorial de la Shoah, suscitaram vivo interesse e empatia. A intervenção recaiu no tema que traduz o sofrimento e a angústia das prisioneiras dos campos de concentração neste período histórico de horror, assunto transversal às várias áreas no sentido de contribuir para o perfil do aluno, que se pretende crítico e atento em sociedade, onde as questões do género e dos direitos humanos têm que estar acesas.

Impressionante a intervenção e as pesquisas “Vidas poupadas: uma viagem pelos arquivos diplomáticos”, de Margarida Lages, Diretora do Arquivo e Biblioteca do Instituto Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros, abordagens pedagógicas, de sublime importância no resgate da memória e na interpretação de elementos construtores dessa memória, dar voz a documentos, cartas e objetos e construir uma história individual e coletiva foi a ideia fundamental.

“Os Genocídios no Século XX: abordagem histórica e jurídica”, de Joel Kotek, Universidade Livre de Bruxelas, e a intervenção sobre “Os Justos” Portugueses” de Fernanda Matias e Maria Luísa Godinho, da Memoshóa, remeteram a plateia, para a fragilidade da vida e a necessidade de uma redobrada atenção social.
Foram três dias de reflexão e de muitas aprendizagens sobre a temática e de partilha de afetos. O ensino do holocausto não é um desafio fácil, por isso é necessário ter em atenção a abordagem realizada em contexto educativo, daí a pertinência desta formação de professores das várias áreas do saber, pois é um imperativo moral e atual, face ao ressurgimento do antissemitismo, ao negacionismo, à cultura de ódio e à xenofobia que grassam no mundo. É imperioso que este conteúdo, que ultrapassa os limites da disciplina de História, integre a aprendizagem dos nossos alunos no sentido de educar para a cidadania.

De registar, a título de balanço desta ação de formação, a pertinência dos conteúdos dos diversos painéis, assim como as propostas de trabalho educativo e a partilha de exemplos de boas práticas educativas, que se revestiram de elevada qualidade, com apoio em fontes e documentação fidedignas, disponibilizando variados recursos, propostas e metodologias de trabalho da temática, alicerçada nos valores de uma cultura democrática, pacífica e de respeito pelos direitos humanos, que se apresenta cada vez mais necessária na formação dos alunos no mundo onde assistimos a uma preocupante onda de intolerância, radicalismo e extremismo político.

Lembremos que, numa visão integradora do currículo, e numa abordagem transversal entre as várias áreas do saber, este tema se enquadra nos domínios da Estratégia Nacional da Educação para a Cidadania e contribui para o perfil do desempenho do aluno à saída da escolaridade obrigatória, em particular o relacionamento interpessoal e o pensamento crítico, para além do respeito pela diferença, em suma, pelos direitos humanos.

Por fim, agradecer o privilégio e a honra sentidos no Agrupamento de Escolas e no concelho de Carregal do Sal, berço do “Justo entre as Nações” Aristides de Sousa Mendes, em acolher um seminário de estudo ao mais alto nível, reconhecido pela Direção-Geral de Educação como de enorme importância na formação dos professores para a replicação destas aprendizagens nas escolas, constituindo assim um veículo para uma maior consciência cívica.

Uma última palavra de gratidão para a organização, que primou para que tudo decorresse com normalidade e rigor, FAZENDO ACONTECER, não há dúvida de que os participantes saíram mais enriquecidos, não apenas pelo que ouviram, mas também pela partilha de experiências que este tipo de eventos possibilita. 

Fica a citação, de Edmund Burke:Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.

Texto: Josefa Reis e Dores do Carmo

Fotos: Josefa Reis e Isabel Várzeas